segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

o amor existe

o amor existe
quando não se insiste
em amar
o amor
do outro

existe
quando não se insiste
em ter mão
dedo
boca

por
poros

:

o amor
é um corpo
sem órgãos.


é
pequeno
e para os que gostam de espelho
um caco bastaria
para se ver.

existe
quando se mata uma criança
e nascem duas no lugar
no que insistia
em envelhecer
o amor é it
por gostar do que ama
ama o impessoal do mundo
e dá o que sobra
ao intruso acaso.


O amor que não insiste é o intruso acaso aceito.

repetidas vezes...
mesmo quando se que
bram os espelhos i-mitados.
do mítico
falhado verdade:
existe antes nos que podem amar as folhas
e cheirar flores por cheirar
destemendo a zanga
por afetos de colméia
existe antes
no
mer
gu
lho
fresco
no olhar desatento
adorador do todo
antes de amar.

 existe na segunda-feira
sempre sonâmbula
se na primeira e sétima
pós-sexta
atritou-se o gostar
aparece tímido
em rimas pisadas como estas
de quem já amou desamado
nesse jeito mal contado de experimentar

:

e nos ‘ar’ de amar, ralhar
és de término!
combinados em rima
busca apenas uma familiaridade
com esse par
existente
de nunca encontrar
som igual
surdo
sem saber
nas dissonâncias perdi o procurado
por não crer na meditação do amor
como a equalização
de dois sofrimentos.

:

não
caros
ninguém procura amor
por alegria

.

o alegre é antes o rei do acaso
e esse não procura
nem permite ser procurado.
pra curar
o que não se cura :
sintoniza uma música suportável.

acaso
proposital
potente
desejoso
de
cru.
                                                                                                                              

contradição do arbítrio livre
pela força de se auto-narrar
você como teu
eu
e às vezes, só às vezes,
alguém dança
mas é sempre
em gelo liso.

não se ama no fogo
nem embaixo da terra
amor de terra
procura minhocas
que procura húmus
adubo de coisa morta


e o que morre
são as paixões.


o amor injeta
o pior vírus:
outro amor
que cresce sem matar
o hospedeiro

morre-se de cólera e não de amor.

as coisas se matam:
o que morre são os mitos
e o amor é um Deus
inventado pelos médicos
que contraindicam a solidão.


o amor é antes o que perpassa
não se atira em objetos
nem desmaia nos braços de sujeitos
é fleuma combinatório
existente apesar



de.





é patinho feio
por lutar contra tédios
em mundos de desistências
ânima sem compromisso
de reavivar
desconhece deveres
existe
sem estar
e quando
(em tempo triste)
existe muito
sem estar
vira
saudade



ele é  um it

:

para eles


há de ser um metal vagabundo
a doce condicional
de anteriores prisioneiros soltos
por bom comportamento

entre o amor e o reino
ficaria com o reino

e amaria outro mundo.

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